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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Parece...

"- sabias que se colocares o ouvido bem pertinho da concha ouves o som do mar?
Parece que guarda o mar todinho dentro dela
- se colocares o teu ouvido bem pertinho do meu peito também vais ouvir um som
- estou a ouvir... o que é?
- o som do amar... parece que te guardo todinha dentro de mim"

(David Drummond )

sábado, 18 de fevereiro de 2012

"Encha o peito com mais de trezentos suspiros,
quando estiver bem levinho,
solte as amarras e flutue."


(Rita Apoena)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

"I always wonder why birds stay in the same place when they can fly anywhere on the earth. Then I ask myself the same question..."


(Harun Yahya)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

NO NOSSO CAMINHO HÁ SEMPRE UMA PEDRA,
CABE A CADA UM DE NÓS SABER SE QUER
SALTA-LA,
OU,
ESCULPI-LA


***

domingo, 14 de agosto de 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

"Canção de mim mesmo"

A "Cançao de mim mesmo" do sempre amado W.W. tem 52 estrofes, venero cada uma delas, transcrevi só um cheirinho...

"Nunca houve tanta iniciativa como agora,
Nem tanta juventude ou experiência como agora,
E nunca haverá tanta perfeição quanto agora,
Nem tanto céu ou inferno como agora.
Ímpeto e ímpeto e ímpeto,
Sempre o fecundante ímpeto do mundo.
[...]
Existo como sou, e isso me basta,
Se nenhum outro no mundo está ciente, sinto-me contente,
E se todos estiverem cientes, sinto-me contente.
Um mundo está ciente e é de longe o maior pra mim, e esse sou eu mesmo,
E se me aproprio do que é meu hoje ou em dez mil ou dez milhões de anos,
Posso alegremente recebê-lo agora, ou com igual alegria esperar.
[...]
Sou o poeta do Corpo e sou o poeta da Alma,
Os prazeres do céu estão comigo e as dores do infer­no estão comigo,
O primeiro acrescento a mim mesmo e distribuo, o segundo traduzo em uma nova língua.

(In Leaves of Grass- Walt Whitman)

domingo, 24 de julho de 2011

Sê *

Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.




(Pablo Neruda)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

É?

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

sábado, 2 de julho de 2011

Preciso

Não um amor de mesa posta, talheres de prata, toalha de renda, não um amor de terça-feira e domingo, água morna, gaveta arrumada.
Apaixona-te por mim no meio de uma tarde de chuva, rua alagada, rosas na mão, um calor de desmaiar, um amor faminto, urgente, latejante, um amor de carne, sangue e vazantes, um amor inadiável de perder o rumo, o prumo e o norte, um amor de morte. Não me dês um amor adestrado que senta, deita, rola e finge de morto, que late, lambe e dorme.
Uma paixão felina, apaixona-me sorrateiramente e assim que eu me distrair, crava-me os dentes, as unhas, rola comigo e perde-te em mim e sê tão grande a ponto de me deixar perder.
Ama as minhas curvas, a minha alma, espalha-te nos meus versos, nos meus reversos, nos meus entalhes.
Faz-me sentir amada, desejada, glorificada, preciso, preciso tanto, que me ensines, que me fales, que me cales. Amén.

domingo, 22 de maio de 2011

"Do amor e outros demônios"

Uma noite, foi ela quem tomou a iniciativa com os versos que aprendia de tanto ouvir:
– “Quando páro a contemplar meu estado e ver os passos por onde me trouxeste…” – recitou. E perguntou com picardia: – Como continua?
- “Eu acabarei, pois me entregarei sem arte a quem me saberá perder e acabar” – disse ele.
Ela repetiu os versos com a mesma ternura e continuaram até o fim do livro, saltando trechos, pervertendo e tergiversando os sonetos conforme a conveniência, brincando com eles à vontade, com um domínio de donos.
Tarde da noite, depois de um dia inteiro de disfarces, se sentiam amados desde sempre. Cayetano, meio de brincadeira e meio a sério, se atreveu a soltar o cordão do espartilho de Sierva María. Ela protegeu o peito com as duas mãos; houve uma chispa de raiva em seus olhos e uma rajada de rubor lhe incendiou o rosto.
Cayetano lhe agarrou as mãos com o polegar e o indicador, como se estivessem em fogo vivo, e as afastou do peito. Ela tentou resistir, e ele lhe opôs uma força terna mas resoluta.
- Repete comigo – disse: – “Enfim a vossas mãos hei chegado.”
Ela obedeceu.
- “Onde sei que hei de morrer” – prosseguiu ele, enquanto abria o espartilho com seus dedos gelados. Ela repetiu quase sem voz, trêmula de medo:
- “Para que só em mim seja provado o quanto corta uma espada num rendido.”
Então ele a beijou nos lábios pela primeira vez.
O corpo de Sierva María estremeceu com um gemido, e ela soltou uma tênue brisa marinha e se abandonou à própria sorte. Ele passou por sua pele as gemas dos dedos, tocando-a muito de leve, e viveu pela primeira vez o prodígio de se sentir em outro corpo.

(Gabriel García Márquez)

terça-feira, 17 de maio de 2011

aflições.. e cenas maradas que entram num espiríto quando está a trabalhar de noite...

"Sim, afligia muito querer e não ter.
Ou não querer e ter.
Ou não querer e não ter.
Ou querer e ter.
Ou qualquer outra dessas combinações entre os quereres e os teres de cada um, afligia tanto."



(Caio Fernando Abreu)

domingo, 24 de abril de 2011

"Reconhecimento à Loucura"

Já alguém sentiu a loucura vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma corque nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?

Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.


(Almada Negreiros)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

receitas**

"Trabalha como se não precisasses de dinheiro,ama como se nunca tivesses sido magoado e dança como danças quando não há ninguem a ver-te"·····vou pensar nisso!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Tens dois minutos?..

"TENS 2 MINUTOS? Ou fazem-te falta? Sabes o que faz realmente falta? Mais loucura. Mais loucos. Não os grandes malucos, mas os verdadeiros, e as verdadeiras. Aqueles que perdem tempo para falar sozinhos; que vêm quadros onde os outros só vêm paredes; os aventureiros e as aventureiras que acreditam, ainda, haver qualquer coisa no fim do arco-iris. O verdadeiro poder é decidires o mundo à tua volta, questionar o estabelecido, as certezas e os costumes, para acreditar que tudo pode ser diferente. É preciso mais absurdo, mais ideias insensatas. Tu é que mandas. Se gostas de musica pirosa, gostas e pronto. Queres cantar alto no meio da rua, deixa-te ir. Se preferes não dar muito nas vistas, anda nas calmas. É preciso rir-mos e dançarmos e darmos abraços e beijinhos. O importante e levarmos tudo mais a brincar. Até as coisas sérias."

quarta-feira, 17 de março de 2010

Aquela tal palavra que só existe em português... Saudade

"Depois de algum tempo aprendes a diferença,a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E aprendes que amar não significa apoiar-se,e que companhia nem sempre significa segurança.E começas a aprender que beijos não são contratos,presentes não são promessas.E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobres que se leva anos para se construir confiançae apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida.Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida são tiradas de ti muito depressa;por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos.

Aprendes que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve,e com o que aprendeste com elas,do que com quantos aniversários tu celebraste.

Aprendes que paciência requer muita prática. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não dá o direito de seres cruel.

Descobres que só porque alguém não te ama do jeito que tu queres que ame,não significa que esse alguém não saiba amar,contudo, te ama como pode, pois existem pessoas que nos amam,mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém.Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em, algum momento, condenado.Aprendes que não importa em quantos pedaços teu coração foi partido,o mundo não pára para que o consertes. E, finalmente, aprendes que o tempo,não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, planta o teu jardim e decora tua alma,ao invés de esperar que alguém te traga flores.E percebes que... realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!"
(W.Shakespeare)

segunda-feira, 8 de março de 2010

DEIXA-ME RIR

Deixa-me rir
Essa história não e tua
Falas da festa, do sol e do prazer
Mas nunca aceitaste o convite
Tens medo de te dar
E não é teu o que queres vender

Deixa-me rir
Tu nunca lambeste uma lágrima
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor

Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda feira

Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
De que falas com tanto apreço
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso

Deixa-me rir
Ou entao deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre so por um instante
Iluminar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te a mascara sufocante

Pois é, pois é
Ha quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda feira

(Jorge Palma)
*

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

POEMA EM LINHA RECTA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe- todos eles príncipes- na vida...

Quem mem dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Oh princípes, meus irmãos.

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(F.P.)